CRM constata irregularidades em quatro hospitais da PB

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Hospital Geral de Taperoá foi um dos fiscalizados (Foto: Divulgação/CRM-PB)





Quatro hospitais da Paraíba sofreram intervenções do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), conforme divulgado nessa sexta-feira (12). As ações ocorreram em Patos, Taperóa e Cubati.

Patos

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e a Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCIN) do Hospital e Maternidade Peregrino Filho, na cidade de Patos, Sertão paraibano, foram interditados após fiscalização realizada nesta sexta-feira (12).
Segundo o CRM, as unidades não contam com materiais básicos para o internamento de crianças, como sonda nasogástrica, álcool 70%, PVPI, tubo endotraqueal, anti convulsivantes, fios, filtros para as incubadoras, dentre outros. Com isso, não têm condições de prestar um atendimento adequado, colocando em risco a vida dos pacientes e o ato médico. A interdição tem início a 0h deste sábado (13) e os médicos estão impedidos de prestar os serviços nessas unidades.
O CRM-PB fiscalizou também, em Patos, o Hospital Regional Deputado Janduhy Carneiro. De acordo com o diretor de fiscalização, João Alberto Pessoa, o hospital apresenta problemas gravíssimos em sua estrutura física, além da falta de medicamentos e laboratório precário.
“O hospital apresenta um clima de guerra em vários setores. No Centro Cirúrgico há péssimas condições, como um esgoto que se abre a cada sete dias para limpeza, infiltrações nas paredes, ar condicionado com vazamento e baldes para conter a água, piso de concreto. São muitos problemas a serem resolvidos”, disse o diretor do CRM-PB.
“Realmente, o hospital presta um serviço precário. Mas não temos como interditá-lo por completo, pois ele atende uma grande parte da população do Sertão. Por isso, daremos um prazo de 20 dias (a contar a partir da entrega do relatório do CRM-PB) para que sejam sanadas, pelo menos, os problemas na área física”, explicou João Alberto.
Ainda em Patos, a equipe de fiscalização do CRM-PB inspecionou também o Hospital Infantil Noaldo Leite, onde não foram encontradas irregularidades que comprometessem o funcionamento. “Felizmente, essa unidade hospitalar está funcionando bem”, afirmou João Alberto. O três hospitais fiscalizados em Patos são estaduais sendo, a maternidade e o Janduhy Carneiro administrados pela Organização Social (OS) Gerir.

Taperoá

Na tarde dessa quinta-feira (11), o CRM-PB fiscalizou o Hospital Geral de Taperoá e constatou que faltam medicações, insumos, roupa para pacientes e funcionários, além da quantidade escassa de médicos.
Diante da gravidade da situação que pode comprometer o atendimento adequado aos pacientes, o CRM-PB deu um prazo de 10 dias para que o Governo do Estado corrija as distorções encontradas, sob risco de interdição ética dos médicos que trabalham no hospital.
“O hospital está sendo subutilizado, pois tem uma ótima estrutura, centro cirúrgico com capacidade de realizar cirurgias de média complexidade, higiene adequada. No entanto, não há médicos suficientes e os pacientes estão sendo encaminhados para Campina Grande. Além disso, faltam medicamentos essenciais para um tratamento adequado aos pacientes. Fiquei impressionado com o descaso com a população”, destacou o diretor de fiscalização do CRM-PB, João Alberto Pessoa.
O Hospital de Taperoá atende a população de cerca de 17 municípios vizinhos. É um hospital estadual, mas administrado pela Organização Social (OS) Instituto Gerir. Caso haja a interdição ética do CRM-PB, os médicos que atuam no hospital ficam impedidos de prestar seus serviços.

Cubati

O CRM-PB interditou eticamente os médicos do Hospital Municipal Maria Lídia Gomes, na cidade de Cubati, a 220 km de João Pessoa. A equipe de fiscalização esteve no hospital geral da cidade, na tarde dessa quinta-feira (11), e constatou que não havia médicos no local, nem direção técnica.
De acordo com o diretor de fiscalização do CRM-PB, João Alberto Pessoa, só havia escala médica para o sábado. “No restante dos dias, o atendimento era feito apenas pela enfermagem. Recebemos denúncia e viemos comprovar que realmente não há médicos. Infelizmente, tivemos que proceder com a interdição ética”, disse João Alberto.
Dessa forma, a partir da 0h desta sexta (12), os médicos que atuam no hospital estão interditados eticamente e não poderão prestar seus serviços.

Respostas

Sobre os problemas na Peregrino Filho, em Patos, a Secretaria de Saúde do Estado disse que a falta de alguns insumos será solucionada até este sábado (13), quando a unidade terá a reposição dos itens que estão em falta e que foram adquiridos em compras emergenciais e também a partir de remanejamento de outras unidades de saúde estaduais.
“Em função da suspensão temporária de reposições de materiais, a unidade já estava trabalhando em regime de contingenciando para assegurar uma prestação de serviço segura e eficaz aos pacientes, sem prejuízo da saúde e tratamento dos mesmos”, disse a Saúde em nota.
Sobre o Hospital Janduhy Carneiro, a Saúde disse que esses pontos de melhoria serão relacionados em um relatório a ser enviado à direção da unidade, com a definição de prazos para que as mesmas possam ser implementadas.
“A direção do Complexo esclarece que algumas das situações de inadequação apontadas pelo CRM já estavam em processo de readequação e realização e que assim que receber o relatório do Conselho, tomará as medidas cabíveis caso a caso. A direção do Complexo informa ainda que está previsto no orçamento do Governo do Estado recursos para uma ampla reforma na unidade”, informou.
Sobre Hospital Geral de Taperoá, a Secretaria afirmou que a unidade está sendo abastecida com insumos, garantindo o funcionamento e atendimento à população. No que diz respeito aos salários, o Governo da Paraíba disse que está adotando todas as medidas legais para realizar os pagamentos dos trabalhadores desta unidade de Saúde de forma direta.
“Informa também que o Instituto Gerir, Organização Social responsável pela gestão compartilhada do HGT, está deixando a gestão da unidade, passando para a administração direta por um período provisório, até que seja concluído um novo chamamento de acordo com os termos do decreto nº 39.079, publicado em 2 de Abril de 2019, que regulamenta a contratação das Organizações Sociais no Estado da Paraíba”, disse a Saúde.
Portal Correio não conseguiu contato com o Hospital Municipal Maria Lídia Gomes, na cidade de Cubati.

FERNANDO COUTINHO NAÇÃORURALISTA.

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