História da mãe adotiva que procura mãe biológica do filho mobiliza cidade paraibana

 

Pombal, Alto Sertão da Paraíba (Foto: Egberto Araújo)

Setembro de 1977. Uma mulher jovem, aparentando 16 anos, dava à luz na extinta maternidade Roberto Granville, no entorno da Lagoa do Centro de João Pessoa, ao hoje pastor e líder da Igreja Sal e Luz, em Cabedelo, Rômulo Pinheiro.

Ao vir o mundo, o filho de uma mulher identificada apenas como Ana Lúcia, que seria natural de Pombal, no Sertão, foi adotado por Danielita Pinto de Morais. Passados 44 anos, a busca pela mãe biológica do menino Rômulo prossegue.

A procura ganhou repercussão na semana passada após Danielita publicar um comovente depoimento no Blog do jornalista Heron Cid, hospedado no Portal MaisPB. Leia o apelo de Danielita para encontrar Ana Lúcia no fim da matéria.

Em Pombal, cidade apontada pelas enfermeiras da maternidade Roberto Granville como sendo a origem de Ana Lúcia, a população tem se empenhado. Nos grupos de WhatsApp e em perfis na internet, moradores se engajaram para ajudar.

O tema também foi destaque na programação local da Rádio Bom Sucesso FM. Mas por enquanto não há qualquer informação sobre a localização da mulher.

Danielita, no entanto, se mostra otimista e acredita na oração e força das redes sociais para que a mãe biológica de seu filho seja logo encontrada. “Acredito que não vai demorar. Estou em oração, pedindo a Deus para que possa dar coragem, porque não é algo fácil”, afirmou ao Portal MaisPB.

Ela se disse surpresa com a repercussão do caso. “Na internet se toma uma dimensão muito maior. O vídeo de Heron Cid já tem mais de 70 mil visualizações e várias pessoas conhecidas e desconhecidas tem entrado em contato comigo para dizer que estão divulgando, mas por enquanto sem informações”, destacou.

Danielita Pinto de Morais é mãe adotiva de Rômulo Pinheiro e busca pela mãe biológica do filho

Leia o apelo de Danielita Pinto de Morais: 

Neste Maio das Mães, tive tempo de pensar na mãe que sou: Feliz, cheia de histórias para contar e com muitas coisas para agradecer a Deus.

Meu primeiro filho chegou quatro dias antes dos meus 25 anos. Um bebê com dois dias de nascido me fez engravidar a razão. De repente, nasceu uma mãe! Insegura, cheia de medos, mas guerreira. Mudei para um novo universo. Aprendi a driblar as dificuldades de trabalhar três turnos sem direito à licença maternidade, mas, também, a festejar cada mamadeira vazia e cada fralda cheia de cocô duro. Anos depois, uma loirinha com olhos verdes desocupou o meu ventre, onde dividia comigo a mesma circulação, o mesmo ar… as mesmas emoções. Já com um diploma de mãe experiente (que eu mesma me concedi), ter uma filha foi como multiplicar a mim mesma… Uma alegria sem fim!

Em cada filho aprendi a me enxergar vivendo fora de mim, em novo cenário, com outros personagens, mas com os valores que estão na fonte que lhes ensinei a buscar. Eles fazem parte das minhas melhores memórias e de todos os meus esboços de futuro. Nos momentos mais difíceis de cada um, volto a sentir dores de parto. Ergo um altar de oração e viro intercessora. Estranhamente, e de modo maravilhoso, o meu coração geme, se contorce, volta a parir… e sossega! É Deus me dizendo que cuida deles em todo tempo.

Hoje, de uma forma especial, eu quero falar sobre uma mãe que conheço apenas como Ana Lúcia e que tem um papel muito importante em minha vida, desde que li o seu nome numa fita de esparadrapo colada ao braço do seu filho nascido no dia 2 de setembro de 1977. Fafá, uma colega de trabalho foi buscá-lo na extinta maternidade Roberto Granville, no entorno da Lagoa do Centro de João Pessoa, onde nasceu e ficou para adoção. Lá havia um buchicho entre as enfermeiras e zeladoras: a mãe tinha 16 anos, viera da região de Pombal para dar à luz e voltara sem o filho para casa. Não tenho mais informações e nem sei se essas são verdadeiras. Tive medo e perdi o tempo. Depois de 30 anos resolvi procurar os prontuários dos pacientes sob a guarda do hospital, mas já tinham sido destruídos.

Onde está você Ana Lúcia?

Se você pediu a Deus que escolhesse alguém para cuidar do seu filho, quero lhe dizer que Ele me escolheu. De forma mais que humana, seu menino foi acolhido com muito amor, aninhado no meu coração, no meu colo e por todos da sua nova família. Cresceu em estatura e sabedoria. Passou por caminhos de sombras e de morte, mas ganhou novo sopro de vida e se ergueu ajudado pela destra do Senhor. Virou um homem bonito (sou suspeita!) e construiu sua própria família. Tem uma esposa virtuosa e três filhas, com 18, 9 e 5 anos. É bom filho, bom esposo, bom pai… bom amigo. É humilde, amado e honrado por todos os que desfrutam da sua convivência.

Esse texto é mais um caminho que eu sigo para lhe encontrar. Na verdade, você sempre esteve em nosso meio, pois a maternidade estabelece uma relação não divorciável entre mãe e filho, que permanece mesmo quando cessam o contato e a convivência. Os laços maternos sobrevivem no sinal do umbigo, nas memórias do ventre, nas cadeias de DNA… na saudade inexplicável que teima em colocar cada filho em posição fetal, buscando a imensidão do afeto e a unidade que isso significa.

O filho que abriu o seu ventre sempre soube a própria história, aprendeu a orar por você e a abençoar sua vida. Deu início à sua descendência, sua herança da parte do Senhor, troféu de vitória sobre a finitude da sua vida na terra. Cuidados pelas mãos de um Deus que ama como um Pai perfeito e que tem o controle sobre todas as coisas, estão aqui lhe esperando para um abraço mais que gigante e para uma eternidade cheia de vida.

Torço para que, se ainda der tempo, possamos viver os milagres desse encontro de alegria e cura. Que se alinhem o mapa e o tempo para que as nossas estradas se encontrem.

Vem Ana Lúcia!

“Os filhos são herança do Senhor…” Salmo 127:3.

A carta acima também foi lida no programa Hora H, apresentado pelos jornalistas Heron Cid e Wallison Bezerra, na Rede Mais Rádio.

MaisPB

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