Datafolha: Lula tem folga entre quem recebe Auxílio Brasil e tem medo da Covid

 

Foto: Ricardo Stuckert/ascom/pt

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JÃLIA BARBON
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A parcela de eleitores que pretende votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito de outubro é maior entre quem recebe o Auxílio Brasil, programa sucessor do Bolsa Família, e entre quem ainda tem medo de se infectar com o coronavírus.

O petista também tem mais aderência entre os que acreditam que armas não tornariam a sociedade brasileira mais segura e entre os que confiam nas urnas eletrônicas. Mesmo assim, cerca de metade de seus apoiadores acha que as Forças Armadas devem participar da contagem dos votos.

Veja abaixo o que pensam as pessoas que têm Lula como sua primeira opção para presidente sobre esses quatro temas: economia, armas, pandemia e urnas. Entenda também seu perfil, em geral mais pobre, mais negro, mais indígena, mais jovem, mais nordestino, menos escolarizado e mais católico.

Os assuntos foram questionados na última pesquisa Datafolha, feita com 2.556 pessoas acima de 16 anos em 181 cidades de todo o país nos dias 25 e 26 de maio. O levantamento foi contratado pelo jornal Folha de S.Paulo e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.

A margem de erro total é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. É importante ponderar, porém, que ela aumenta quando se considera apenas os que votarão em cada candidato. Dentro dessa amostra, são 1.234 a favor de Lula, 693 a favor de Jair Bolsonaro (PL) e 179 a favor de Ciro Gomes (PDT).
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1. ECONOMIA
Enquanto 66% dos brasileiros no geral acham que a economia do país piorou nos últimos meses, o número sobe para 84% entre os eleitores de Lula. Quando perguntados sobre a sua própria situação econômica, a comparação também é de 52% para 70%.

As parcelas são muito superiores às dos apoiadores de Bolsonaro e um levemente superiores aos de Ciro. Para pouco mais da metade dos que pretendem votar no petista, a situação econômica do Brasil tem muita influência no voto para presidente.

Um quarto deles recebem ajuda financeira do Auxílio Brasil -patamar também acima dos 12% de Ciro e dos 16% de Bolsonaro, que reformulou e rebatizou o programa de transferência de renda. Três em cada quatro dos beneficiários que apoiam o petista, porém, acham insuficiente o valor, que é de no mínimo R$ 400.

2. ARMAS
Oito em cada dez eleitores de Lula discordam das frases: “a sociedade brasileira seria mais segura se as pessoas andassem armadas para se proteger da violência”, “é preciso facilitar o acesso de pessoas às armas” e “o povo armado jamais será escravizado”.

A parcela é maior que a dos apoiadores de Bolsonaro, mas inferior à dos apoiadores de Ciro, que têm uma discordância um pouco mais alta mas ainda dentro das margens de erro.

3. PANDEMIA
As pessoas que pretendem votar em Lula são as que mais acham que a pandemia está fora de controle no país (17%, contra 10% em Bolsonaro e 6% em Ciro). Quase sete em cada dez delas avaliam o desempenho de Bolsonaro em relação ao tema como ruim ou péssimo.

Consequentemente, os lulistas são os que mais temem se infectar com o coronavírus -75% têm muito ou um pouco de medo. A taxa de vacinação deles, portanto, é maior: 98% declaram que se imunizaram, apesar de apenas 58% terem tomado a dose de reforço.

Quase todos os seus eleitores (99%) concordam que o governo federal deveria fornecer a vacina gratuitamente para toda a população em 2023.

4. URNAS ELETRÔNICAS
A pesquisa aponta que 83% dos que pretendem votar em Lula confiam um pouco ou muito nas urnas eletrônicas -contra 58% entre quem tende a escolher Bolsonaro. Por isso, a maioria deles (57%) não acredita na chance de haver fraude nas eleições, como diz o atual presidente.

Apesar disso, a mesma parcela dos adeptos do petista acha que os ataques e ameaças de Bolsonaro devem ser levados a sério pelas instituições do país e cerca de metade (48%) concorda total ou parcialmente que as Forças Armadas devem participar da contagem dos votos.

5. PERFIL
O eleitor de Lula é ligeiramente mais masculino (39% dos homens o citaram como primeira opção espontaneamente, contra 36% das mulheres), apesar de a diferença estar dentro da margem de erro e ser menor do que entre os eleitores de Bolsonaro (de 27% e 18%, respectivamente).

Também é mais jovem: suas intenções de voto são de 43% entre quem tem de 16 a 24 anos e cai para 36% entre idosos acima de 60 anos, ao contrário do rival. O petista é a escolha de quase metade dos estudantes e da maioria dos estagiários e aprendizes.

Costuma angariar mais votos ainda entre quem ganha até dois salários mínimos por mês (44% desse grupo o menciona), entre quem cursou apenas o ensino fundamental (43%) e entre nordestinos (49%). Ele abre vantagem do concorrente entre católicos e pretos, mas indígenas são os que mais destoam, com 59%.


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