Quase 40% dos paraibanos vivem com meio salário mínimo

Em comparação com o ano de 2016, houve uma diminuição no número de pessoas que recebem até R$ 477 mensais, caindo de 40,5% para 38,4%
   
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Quase 40% (38,4%) da população paraibana vive com apenas meio salário mínimo (R$ 477) por mês. O dado faz parte da Síntese de Indicadores Sociais, com base de dados de 2017, divulgada nesta quarta-feira (5), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Conforme o estudo, feito em 1.278 domicílios, em comparação com o ano de 2016, houve uma diminuição no número de pessoas que recebem até R$ 477 mensais, caindo de 40,5% para 38,4%.
Em 2017, 1% da população não possuía renda; 15,7% possuía renda entre zero e um quarto do salário mínimo; 21,7% possuía renda entre ¼ e meio salário mínimo.
O estudo constatou 0,5% da população não possuía renda, em 2017; 17,3% possuía renda entre zero e ¼ do salário mínimo; 22,7% possuía renda entre um quarto e meio salário mínimo.

Origem da renda

A Síntese de Indicadores Sociais também verificou quais são as fontes de renda dos paraibanos que vivem abaixo ou na linha da pobreza. Em 2017, para quem tem renda de até um quarto de salário mínimo, a fonte principal era o próprio emprego (48,7%); aposentadoria por pensão (5,1%); e outras fontes (46,2%).
Já para os paraibanos com renda entre um quarto e meio salário mínimo, 63% tinham como fonte principal o próprio trabalho; 18,7% a aposentadoria por pensão; e 18,3% outras fontes.

Dados do Brasil

O país tinha 54,8 milhões de pessoas que viviam com menos de R$ 406 por mês em 2017, dois milhões a mais que em 2016. Isso significa que a proporção da população em situação de pobreza subiu de 25,7% para 26,5%, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada hoje pelo IBGE. O estudo utilizou critérios do Banco Mundial, que considera pobres aqueles com rendimentos diários abaixo de US$ 5,5 ou R$ 406 mensais pela paridade de poder de compra.
O Nordeste concentrou o maior percentual daqueles em situação de pobreza, 44,8%, o equivalente a 25,5 milhões de pessoas. Entre as unidades da federação, a maior proporção de pobres estava no Maranhão, com mais da metade da população, 54,1%, e em Alagoas, 48,9%. Já Porto Velho (RO) e Cuiabá (MT) foram as duas únicas capitais onde o contingente de pessoas que ganham menos de R$ 406 por mês superava a dos respectivos estados: em Porto Velho era 27%, contra 26,1% em Rondônia; em Cuiabá, 19,2%, contra 17,1% em Mato Grosso.

Mulheres pretas ou pardas são grupo mais vulnerável

A situação é mais grave entre os 7,6 milhões de moradores de domicílios onde vivem mulheres pretas ou pardas sem cônjuge com filhos até 14 anos. Desses, 64,4% estavam abaixo dessa faixa de renda de até R$ 406 mensais.
Para erradicar a pobreza, o estudo apontou que seria necessário investir R$ 10,2 bilhões por mês na economia, ou garantir R$ 187 por mês a mais, em média, na renda de cada pessoa nessa situação. A análise demonstra que não só a incidência da pobreza aumentou, mas também a intensidade, já que em 2016 esse valor era de R$ 183 a mais.
O analista da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, Leonardo Athias, indica que, além de políticas públicas do governo, a melhora nas condições do mercado de trabalho é um dos caminhos que podem contribuir para a redução da pobreza: “ter oportunidades, reduzir a desocupação e aumentar a formalização têm obviamente uma série de efeitos que permitem as pessoas saírem dessa situação”. FERNANDO COUTINHO POSTOU.