Uma análise dos jingles 2018 dos presidenciáveis

Os jingles eleitorais são a forma mais simples de conquistar o coração do brasileirinho. Ler plano de governo é muito chato e, como as propagandas eleitorais nos mostram, tiozinho engravatado não vira rei do carisma do dia pra noite e zé ricaço não convence como homem do povo. Só a música bem caprichada parece ter algum efeito nas profundezas das mentes dos nossos eleitores. É ela que faz todo mundo ficar com o nome do candidato na cabeça e amá-lo ou odiá-lo cada vez mais.
Se por um lado o período é de uma forte tensão no ar, com polarização, extremos, FORTES SINAIS, maçonaria e amizades desfeitas, por outro o segmento musical é tudo muito bonitinho e motivador. É pra ver se te convence que tem algum jeito.
Ouvi de forma plural e apartidária 12 jingles dos 13 candidatos à Presidência da República. Só faltou o da Vera Lúcia do PSTU porque eu não encontrei. Imagino que não exista.
A análise foi feita sem considerar melhor ou pior. São apenas diferentes propostas para o Brasil em forma de músicas de 30 segundos. A partir daí, cai no conto quem quiser.
Começa agora o setlist eleitoral facultativo:
----COLIGAÇÃO POP ROCK PELA MUDANÇA----

- Cabo Daciolo

O pop rock bíblico para jejuar no monte
O jingle é um pop-rock de filme adolescente. Beleza que qualquer gênero pode virar gospel hoje em dia, mas isso tá muito longe dos louvores que ele manda do alto do monte. Além de ser uma das últimas a ser divulgada, essa musiquinha também é a mais inútil de todas, já que o partido de Daciolo não tem tempo na TV ou campanha de rua. Letra não tem muitos destaques além de um ou outro termo bíblico encaixado meio do jeito que deu.

- João Amoedo

O novo coral roqueiro de sósias
Oficialmente é um jingle não-oficial. Trata-se de uma “manifestação pessoal e espontânea de amigos que acreditam, trabalham e cantam pela mudança”. OK, dá pra acreditar que um cara rico tenha vários amigos com um dinheirinho sobrando pra investir em gravação e produção em estúdio profissional numa filmagem HD. Destaca-se que todos os cantores “lembram alguém” e provavelmente (com certeza) tocam em banda cover. Principalmente a Marília Mendonça Cover e muito mais principalmente AINDA o Dinho Ouro Preto Cover que esse sim é um baita cover. Som pop-rock, solinhos de guitarra bem escondidos, SLAP NO BAIXO, essas bobagens.
----COLIGAÇÃO TODOS JUNTOS COM O FORRÓZINHO----
- Guilherme Boulos
O forró complexo
Jingle que vai do forrozinho pro rockzinho de acompanhar nas palmas mais padrão de jingle eleitoral que tem. Ouvi quatro vezes seguidas e queria deixar esse recado pra juventude PSOLista: não tem um trecho sequer dessa música que seja de fácil assimilação. Não tem. Cê ouve inteiro e não guarda NADA. Nem o refrão (“Boulos 50 é o Brasil nas mãos da gente / O povo governando é com Boulos presidente”). Fica aí a reflexão pra militância.

- Fernando Haddad

Xote do numeral
É o “A volta da Asa Branca” petista. Agradável, vai da intro quase-melancólica pra batida forrózão-de-festa em 30 segundos. O número da legenda é repetido inúmeras vezes porque vai que alguém ainda não sabe qual o número do PT.

- Álvaro Dias

Forrozinho de bordão
Um dos poucos candidatos que decidiu investir num bordão (“abre o olho”). Esse jingle meio forró-meio arrocha segue a cartilha básica da fixação de uma imagem a partir da exaustiva repetição de um verbo. “Olha o que o Álvaro fez / Olha o que o Álvaro FAZ”, “Eu quero é gente que FAZ”, “Álvaro Dias fala e FAZ”. É um jingle, pô, num tem o que ficar inventando.

- Jair Bolsonaro

Estranho forró ocultista?
Mesmo esquema da FIXAÇÃO do Álvaro Dias. “MUDA Brasil / MUDA Brasil / MUDA de verdade”. Esse forró 100% forró teria potencial de grudar na cabeça caso o partido tivesse 5 segundos a mais de tempo de TV, mas calhou que só vai dar pra usar na rua. Tem um verso “A Nova Ordem é MUDANÇA” que sei lá, viu? O Cabo Daciolo tava falando uns negócio aí de envolvimento com o oculto daí esse “nova ordem” pode dar uma bolada. Se alguém puder rodar esse jingle de trás pra frente e dizer se aparece alguma coisa diferente, por favor, avisa.

- Geraldo Alckmin

Forronejo de palminha
Campanha aqui fez o óbvio e tentou puxar tudo o que dava do gênero musical mais executado nas rádios, que é o sertanejinho arrocha. Sanfoninha rolando bonito, refrão, refrão, refrão, refrão, papo de esperança, palminhas. Tudo muito bem feito. Dinheiro não deve ter faltado (não estou afirmando nada, é só uma hipótese. Tamo junto, TSE).

- Henrique Meirelles

O emocionante canto que já esquecemos
candidato que mais investe na postura de vô piadista vem com esse forró repleto de “chama chama chama”, repetindo o famoso slogan do Velho Barreiro. Nada que vá ficar na memória de alguém.
----COLIGAÇÃO BATUQUE PATRIOTA----

- João Goulart Filho

O hino de estúdio
Fico imaginando quantas pessoas vão descobrir AGORA que existe esse candidato à presidência. Chuto uma porcentagem alta (margem de erro de 2 pontos percentuais, pra mais ou pra menos). Como não tem muito pra onde ir, lançaram esse jingle de 30 segundos pegando mais ou menos a melodia do “Hino da Independência” (mais conhecido como JAPONÊS TEM CINCO FILHOS), só que metendo um batuquinho com os timbres que meu Deus do céu. Esse é com toda a certeza o jingle que mais EXALA “somos estúdio de gravação, fazemos jingle, spot e sonorização pra festa: peça orçamento sem compromisso”.

- Ciro Gomes

Reggaeton sem número
O jingle mais moderninho, o único com batida eletrônica meio reggaeton. O que é meio arriscado pra um jingle, porque fica mais difícil pros tiozinho acompanhar nas palmas. Outro detalhe é que o nome do Ciro é repetido ad infinitum, mas o número da legenda não é citado em momento algum. Por quê? Não sei.

- Marina Silva

Rap insustentável
Apesar da intro forró, creio que esse jingle tá mais pra música baiana do que pra outra coisa. Essa grande mistureba de jingle também foi o único que quis meter a desgraça do rapzinho freestyle no meio, o que deixa qualquer coisa mais desgracenta. Se não fosse por isso, estaria tudo certo.
----COLIGAÇÃO DEMOCRATA-CRISTÃO----

- Eymael

Uma nova versão para o clássico
Muito provavelmente o jingle-marchinha mais famoso do período da Nova República. O refrão quase todo mundo sabe, o resto muda a cada eleição mas ninguém se importa. Fortes sinais.
VICE

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