ROBERTO CAVALCANTI COMPARTILHAR: IMPURO

Sempre fui atento e sensitivo no tocante à convivência humana. Nunca tive preconceitos. Cultivo a empatia, a capacidade de sentir a outra pessoa. Comigo a compatibilidade é imediata ou jamais ocorrerá.

Tenho me deparado, ao longo da minha vida, com todo tipo de perfil comportamental. Sem deixar de considerar o alerta de Clarice Lispector – “Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender” – vou apresentar alguns.

Como me faz bem conviver com os “Agradáveis”. Por favor, não confundir com os bajuladores. Se tiver que rotulá-los, que seja com adjetivo que combine com alegria.

Os “Agradáveis” são pessoas encantadoras, extrovertidas e espontâneas, que tornam qualquer ambiente em especial. Têm mente tão positiva que, para eles, reservo uma saudação própria: “Bom dia, minha boa energia!”

Respeito os “Reservados e silenciosos”. Se fossem índios, seriam da tribo “Fala pouco”. A convivência mostra que são sensíveis e leais, e muito focados em seus objetivos.

Esses me remetem às lições do grande orador e filósofo Cícero: “Embora seja curta a vida que nos é dada pela natureza, é eterna a memória de uma vida bem empregada”.

Como me encantam os “Construtivos”, aqueles que sempre têm uma mensagem de otimismo, de esperança, de futuro. São os alavancadores do progresso, do empreendedorismo.

No agrupamento dos “Positivos” tenho especial apreço aos crentes. Aqueles que têm fé. Abasteço-me com eles. Energizo-me cada dia mais. A fé contamina positivamente. Deus deu-me um grande presente: iluminou-me com a convivência com os que têm fé.

Da mesma forma que tenho apreço pelos tipos já citados, tenho intolerância para com os “Arrogantes”, que são pedantes, explosivos, dominadores e, principalmente, egocêntricos. Diria que são da tribo dos “Desqualificadores”. Só eles sabem o que fazer; só eles têm o caminho certo.

É característica deles imputar aos outros todos os defeitos que eles mesmo carregam - suas impurezas. Jamais apontam qualidades, mesmo das pessoas mais próximas.

Não entendia a razão dessa mesquinhez até que tive um insight, uma verdadeira bênção divina, ao participar da missa e atentar para o texto do Evangelho do último final de semana, 22° Domingo do Tempo Comum.

Está no livro de Marcos, capítulo 7: “Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: ‘Escutai todos e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior”.

E continua: “Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, cobiças, maldades, perversidades, desonestidade, difamação, insensatez, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.

Não necessito dizer mais nada. Deixo nas palavras do Senhor Jesus o ensinamento que tanto busquei.
FERNANDO COUTINHO NAÇÃORURALISTA

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