Bolsonaro tem 29% em São Paulo e lidera isolado

Jair Bolsonaro no eleitorado paulista: 29% e líder isolado na corrida pelo PlanaltoSérgio Lima/Poder360 – 8.mai.2018
Pesquisa do DataPoder360 com 3.000 entrevistas nos dias 25 e 26 de setembro de 2018 no Estado de São Paulo indica que o candidato do PSL a presidente, Jair Bolsonaro, atingiu 29% –sua maior marca entre eleitores paulistas.
No DataPoder360 de 9 a 11 de setembro, Bolsonaro tinha 24% em São Paulo. Subiu 5 pontos em 15 dias. A margem de erro das duas pesquisas é de 2 pontos percentuais.
Como se tratou de levantamento com grande amostragem, foi possível estratificar os dados entre capital e interior. Bolsonaro manteve no período entre uma pesquisa e outra o percentual de 23% entre os eleitores da cidade de São Paulo. Mas pulou de 25% para 31% no interior –onde se concentra o voto paulista mais conservador.
Fernando Haddad (PT) tem 19% de intenção de voto no Estado de São Paulo. Diferentemente de Bolsonaro, suas taxas são mais equânimes entre capital e interior –20% e 18%, respectivamente.
A pesquisa no Estado de São Paulo é relevante porque o colégio eleitoral paulista é o maior do Brasil, com 22,4% dos brasileiros aptos a votar em 7 de outubro. Vencer com larga vantagem nessa unidade da Federação significa pavimentar o caminho para ter uma das vagas no 2º turno.
O resultado do DataPoder360 ganha importância nesta fase da campanha porque o eleitorado paulista pode ser determinante para a ampliação —ou não— da liderança do voto em Bolsonaro no Sudeste. O time bolsonarista continua a falar diariamente em vencer a disputa no 1º turno de 7 de outubro.
Neste momento, há 2 sinais muito claros: 1) a disputa em São Paulo está polarizada entre Bolsonaro e Haddad; 2) o teoricamente concorrente local mais forte, Geraldo Alckmin (PSDB), está com desempenho negativo –escorregou de 15% para 13% entre paulistas no DataPoder360.
No início do atual ciclo eleitoral, o tucano Alckmin esperava chegar nesta fase na redondeza de 35% a 40% dos votos paulistas. Nunca esteve nem perto disso.
Para onde têm ido os votos de Alckmin? Fica fácil entender quando o DataPoder360 cruza os votos para governador com os para presidente no Estado. Há 15 dias, 29% dos paulistas que votavam em João Doria (PSDB) declaravam também apoio a Bolsonaro. Hoje, o percentual subiu para 45%.
Exceto se conseguir 1 feito absolutamente inesperado, Alckmin está praticamente fora da disputa por causa de seu desempenho péssimo entre paulistas. O outro lado dessa moeda é Bolsonaro ganhar tração e ser o principal herdeiro do voto tucano.
Já o petista Haddad teria de crescer sobre o voto de Ciro Gomes (PDT), uma vez que Marina Silva (Rede) esfarelou entre os paulistas –ela tem apenas 3%. Seu espólio já foi devidamente pulverizado entre os adversários.
Ciro Gomes mantém sólidos 9% no Estado de São Paulo. O problema é que mantém esse percentual muito por causa do apoio que recebe na capital (14%), justamente onde disputa o mesmo voto de esquerda com Haddad.
No interior, Ciro tem apenas 7% e parece ensaiar uma trajetória descendente –nesse grupo demográfico (os paulistas do interior), o grande sugador de votos é Bolsonaro.

VOTO BOLSODORIA

A eleição de 2018 é casada: para presidente e governador. Bolsonaro tem 45% dos votos dos eleitores de João Doria (PSDB). É o chamado voto “Bolsodoria”, que drena apoios do tucano Alckmin.
O militar também recebe 30% dos votos de quem escolhe Márcio França (PSB) e 18% dos apoiadores de Paulo Skaf (MDB).
Haddad fica com 45% dos votos de Luiz Marinho (PT), 22% dos apoios de França, 20% de Skaf e só 11% dos eleitores de Doria.
Uma curiosidade: 11% dos votos petistas em Luiz Marinho para governador de São Paulo vão para Bolsonaro. Eis os dados:

CERTEZA DO VOTO

Subiu de 68% para 74% a certeza do voto entre eleitores paulistas.
Na cidade de São Paulo é de 77% o percentual dos que dizem que votarão com certeza no candidato escolhido. No interior, 73%.
Entre os candidatos mais competitivos, Bolsonaro é o que tem o voto mais cristalizado. Entre paulistas, 84% dos eleitores do militar declaram que não mudam mais de opinião. O percentual é de 76% para Haddad.
No caso de Geraldo Alckmin, 80% dos seus eleitores paulistas afirmam que vão se manter fieis –o que é 1 certo alento para o tucano, que luta para ficar perto dos 10% no Estado de São Paulo.

SEXO, IDADE, ESCOLARIDADE E RENDA

Na divisão do voto por gênero, Bolsonaro apresenta em São Paulo a mesma assimetria vista no restante do país. Tem 36% entre homens e 23% entre mulheres.
Cabe notar, entretanto, que os 23% entre mulheres é maior do que o percentual que qualquer 1 de seus adversários obtém no voto feminino paulista.
Haddad tem 18% entre homens e 19% entre mulheres.
Quando se observa o voto por faixa etária, Ciro Gomes é imbatível entre os jovens de 16 a 24 anos: tem 27%. Loquaz e de raciocínio claro, o candidato do PDT conseguiu, por meio de redes sociais, arregimentar apoio robusto de estudantes em universidades paulistas.
Bolsonaro vai bem entre eleitores de 25 a 44 anos (42%).
Haddad tem 22% na faixa de 45 a 59 anos e 20% entre os de 25 a 44 anos. O petista tem apenas 9% entre paulistas mais jovens –uma parcela do eleitorado na qual o PT sempre foi bem-sucedido.
Na divisão por nível de escolaridade, Bolsonaro tem seus melhores desempenhos entre eleitores com nível superior (36%) e médio (32%).
Haddad ocupa a outra ponta: tem 23% no grupo de eleitores que não frequentou a escola. E 25% na faixa dos paulistas que declaram ter até o ensino fundamental.
Os mais ricos do Estado de São Paulo preferem Bolsonaro. Ele tem 53% no segmento de eleitores com renda familiar de 10 ou mais salários mínimos. O apoio ao militar vai caindo conforme se reduz a faixa de salários dos paulistas.
De novo, Haddad ocupa a outra ponta nessa divisão demográfica. O petista tem seu melhor desempenho (24%) com os mais pobres.
Leia pesquisas anteriores do DataPoder360 aqui.

CONHEÇA O DATAPODER360

A operação jornalística que comanda o Drive e o portal de notícias Poder360 lançou em abril de 2017 sua divisão própria de pesquisas: o DataPoder360.
As sondagens nacionais são periódicas. O objetivo é estudar temas de interesse político, econômico e social. Tudo com a precisão, seriedade e credibilidade do Poder360.
Poder360 abastece também o agregador de pesquisas, que reúne todos os levantamentos de todas as empresas que investigam intenção de voto e divulgam seus dados.
Trata-se de ferramenta potente para pesquisadores ou leitores em geral que desejam estar informados sobre o atual processo eleitoral –além de poder observar o que disseram todas as pesquisas desde o ano 2000. Copie a URL e guarde na sua lista de favoritos: https://www.poder360.com.br/pesquisas-de-opiniao/ 

SAIBA QUAL É A METODOLOGIA

DataPoder360 faz suas pesquisas por meio telefônico a partir de uma base de dados com dezenas de milhões de números fixos e celulares em todas as regiões do país.
A seleção dos números discados é feita de maneira aleatória e automática pelo discador.
O estudo é aplicado por meio de 1 sistema IVR (Interactive Voice Response) no qual os participantes recebem uma ligação com uma gravação e respondem a perguntas por meio do teclado do telefone fixo ou celular.
Só são consideradas as ligações nas quais o entrevistado completa todas as respostas. Entrevistas interrompidas ou incompletas são descartadas para não produzirem distorções na base de dados.
Os levantamentos telefônicos permitem alcançar segmentos da população que dificilmente respondem a pesquisas presenciais. É muito mais fácil atingir pessoas em áreas consideradas de risco ou inseguras –como comunidades carentes em grandes cidades– por meio de uma ligação telefônica do que indo até as residências ou tentando abordar esses cidadãos em pontos de fluxo fora dos seus bairros.
“É importante levar em conta que cada empresa usa uma metodologia diferente em suas pesquisas. O que é relevante é adotar 1 método consistente, que leve em conta a demografia do eleitorado brasileiro e que faça as ponderações corretas. É isso o que fazemos no DataPoder360”, explica o cientista político Rodolfo Costa Pinto.
Qual a diferença entre uma pesquisa realizada por telefone e outra na qual o entrevistado é abordado na rua ou é procurado em sua residência?
“Estudos de intenção de voto com entrevistas presenciais têm suas características próprias, assim como as pesquisas telefônicas. Por exemplo, algumas pessoas podem se sentir mais à vontade para declarar seu voto olhando nos olhos do entrevistador. Outras se sentirão mais confortáveis fazendo isso ao telefone. Nenhum método é mais certo ou errado do que o outro. O importante é a consistência da metodologia e a possibilidade de repetir os estudos com frequência, pois a curva dos percentuais de cada candidato é que revela uma possível tendência, e não apenas 1levantamento isolado e feito a cada 3 ou 4 meses”, explica Costa Pinto.
Poder360

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