Feriado zero

Feriado zero

Sim, sou defensor fervoroso da PEC do teto dos gastos públicos
Cidades | Em 19/10/16 às 23h59, atualizado em 20/10/16 às 00h15 | Por Roberto Cavalcanti
O Brasil está quebrado. E essa é uma constatação que independe de posicionamentos ideológicos. Pois à esquerda ou à direita, nos centrões e ou em cima do muro, a matemática é a mesma.

Os números – avessos a senãos e subjetividades – não mudam ao sabor de colorações político-partidárias. E eles mostram, de forma inequívoca, a extensão do nosso fundo de poço.

Em um cenário desses é preciso ser pouco nacionalista – ter baixa brasilidade correndo nas veias – para ser contra a Proposta de Emenda Constitucional 241.

Sim, sou defensor fervoroso da PEC do teto dos gastos públicos. Um fervor que se sustenta na fé de que nossos cacos podem ser colados (não sem sacrifícios) para que meus netos (nossos netos) tenham um Brasil mais promissor.

Decididamente, vou para o sacrifício até o fim da minha vida.

E isso não é retórica. É, mais uma vez, matemática: some meus 70 anos com os 20 anos de vigência da PEC e chegaremos a este patamar quase intangível de 90 anos.

Trocando em miúdos, estou dando nessa equação nada mais nada menos do que o resto da minha existência. E acredito que ninguém pode dar nada mais valioso que isso.

Mas esse sacrifício não pode ser singular. Tem que ser coletivo.

Mais que isso: não pode ser feito em partes; tem que ser cumprido na integralidade.
Definitivamente, não aceito meias medidas.

Se vamos ter que frear tudo ao longo de duas décadas, precisamos cortar todo e qualquer acessório; toda e qualquer distração que se apresente no meio dessa dura jornada.

Destaco, hoje, os feriados.

As numerosas e arrastadas pausas do nosso calendário produtivo.

Se vamos mesmo dar provas ao mundo de que estamos, como nação, dispostos a corrigir o rumo de nossa economia, eis um bom começo: abolir todo e qualquer feriado, especialmente aqueles que geram, à reboque, os famigerados pontos facultativos e imprensados, também por um prazo de 20 anos.

E que me perdoem, por antecipação, a Igreja, historiadores, os gêneros, raças e categorias de classes...

Já imaginou a economia e o ganho que teríamos?

Nem é preciso imaginar.

É só tomar como parâmetro as perdas colhidas ano após ano, feriado após feriado.

Somente a indústria terá, ao longo desse ano, R$ 54,6 bilhões de prejuízos com as pausas previstas no calendário nacional. O comércio, por sua vez, perderá em torno de R$ 55 bilhões.

É muita coisa para uma nação com massa recorde de desempregados.

Não posso conceber uma nação séria, enfrentando uma crise mais séria ainda, com uma população fingindo trabalhar. E governos estimulando os breques produtivos para economizar na taxa de energia.

Que país é esse? E onde queremos chegar?

Sim, sou radical. Mas repito: não aceito meio termo. Ou tampouco o autoengano das meias medidas.

Se é para ir para o sacrifício, vamos dar exemplo ao mundo: ser o primeiro e único país do planeta com feriado zero

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