Democracia madura

Democracia madura

Ao longo de quase nove meses – desde o início da tramitação do impeachment - não se viu nas ruas do País nenhuma manifestação significativa de protesto
Mais política | Em 27/08/16 às 13h17, atualizado em 27/08/16 às 13h18 | Por Roberto Cavalcanti
Esta semana deve se materializar o afastamento definitivo da senhora Dilma Rousseff – representante de um partido no qual não apenas votei, mas também fiz parte de sua base aliada no Senado Federal, crendo fielmente que fazia o melhor para o País.

Hoje sabemos que eu – assim como milhões de brasileiros – fomos redondamente enganados.

Descortinado, este agrupamento político revelou sua verdadeira face.

E seus verdadeiros personagens.

Perfis burilados por marketings fantasiosos, que vendiam ideologias de nivelamento social enquanto pilhavam a nação para o enriquecimento de seus grupos de interesse político.

Expostos, colheram o que plantaram.

Semearam engano, apanharam solidão.

Ao longo de quase nove meses – desde o início da tramitação do impeachment - não se viu nas ruas do País nenhuma manifestação significativa de protesto.

E isto, com toda a certeza, é o motor – ruidoso e feroz – da frustração que abate as correntes pseudo populistas. Eles contavam com o povo no asfalto, defendendo o indefensável.

Mas, cientes do ludibrio, o povo respondeu eloquentemente com o silêncio.

Nem mesmo os apelos midiáticos do golpismo, aludidos interna e principalmente externamente, prosperaram.

Simplesmente porque estas acusações – irresponsáveis e inaceitáveis – não coadunam com a realidade em curso.

Nunca assisti um golpe que segue religiosamente os passos previstos na Constituição Federal.

Nunca assisti um golpe chancelado pela maioria esmagadora da Câmara e do Senado.

Nunca assisti um golpe comandado pela Suprema Corte Federal.

Nunca assisti um golpe no qual a suposta golpeada comparece a seu julgamento, pactuando com o processo.

Obviamente, os arautos da imagem distorcida do processo de impeachment apostavam que estariam pregando sobre um campo fértil, arado pelo estigma da republiqueta de bananas.

A fantasia maldosa, porém, se chocou com a realidade.

E o Brasil real demonstra - na obediência aos ritos sagrados da sua Carta Magna, na perseguição obsessiva aos ditames da lei e no amplo direito de defesa e exposição do contraditório - que há muito ciclos políticos descascou suas fragilidades institucionais.

Nossa República, definitivamente, está maiúscula.

Somente numa nação de instituições fortes se desenvolve um enredo como o que escrevemos no presente – delegando, à posteridade, herança para iluminar as sombras de futuras provações.

Um capítulo sem tanques; sem guerras civis; sem convulsões sociais e, principalmente, sem paralisia nacional, onde estamos – à luz da lei e à sombra de nossas instituições – resolvendo nossas mazelas internas.

E dando, ao mundo, lição de maturidade democrática.

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