A reforma pelo voto

Muito se fala, mas pouco se faz para materializar a tal reforma política. E é relativamente fácil entender este engavetamento compulsório.

Reforma política é atribuição de políticos. E assim sendo, o que se pode esperar Que os beneficiados mudem a regra do jogo, se privando das próprias benesses?
O que eles parecem não se aperceber é que, enquanto postergam o inevitável, os brasileiros podem – e devem, ainda que à revelia deles – fazer por conta própria essa bendita reforma.

Na urna. No voto.

Acredite: esta seria a verdadeira reforma política.

Com o voto, podemos realizar a necessária depuração moral dos nossos representantes, elegendo cidadãos com perfis compatíveis à ocupação de cargos públicos.

Se é verdadeira a assertiva de que cada povo tem o governo que merece, então temos que começar por nós mesmo esta expurgação.

Acredito na progressiva maturidade do eleitor brasileiro. Acredito, firmemente, que temos aprendido com nossos erros.

E temos errado muito.

Erramos, por exemplo, quando elegemos cidadãos que têm como ideologia o oportunismo, esperando – inocentemente – que este mandato tenha a marca da honradez.

Erramos, também, quando referendamos candidatos inexperientes, impostos por líderes políticos, que redundam em desastres como os que assistimos neste instante no País.

E, ainda, quando aceitamos os laranjas que cobrem as lacunas dos impedidos pela Lei da Ficha Limpa.

Erramos, principalmente, quando chancelamos vitórias políticas de candidatos cuja conduta moral é sabidamente distorcida, adentrando a promiscuidade até mesmo em seus alpendres familiares. O que esperar moralmente de um mandato desses?

O que esperar positivamente de um representante – seja no parlamento, seja no poder executivo – quando estendemos a mão para o dinheiro, vendemos o voto, recebemos a cesta básica, lhes entregamos nossas contas?

Ou quando confirmamos nas urnas candidatos que fragorosamente desembolsam mais na campanha do que têm a expectativa de receber (legalmente) em seus mandatos?

De uma coisa temos certeza: no prejuízo ele não ficará. O dano será todo nosso. Será do erário.

Poderia tecer exemplos quilométricos de nossos auto-enganos nas urnas. De todos os equívocos já cometidos na urna.

Mas prefiro depositar minha fé no povo brasileiro, que de tão continuadamente malogrado, enganado, embusteado, deva fazer neste momento seu dever de casa.
Pois de erro em erro, desenhamos este circo dos horrores – debaixo de cuja tenda poucos e notáveis personagens se excetuam.

Chegou a hora de revisar nossos critérios - observando com mais acuidade a cena política; qualificando nosso voto. E decidindo com mais sabedoria os próximos passos dessa reforma política.

Não tenham dúvida: podemos reformar, emendar e instituir uma mudança real e profunda na seara política.

Podemos e vamos. Pois a população já entendeu que cabe a nós mesmos, eleitores, a missão de expurgar as raposas que se candidatam a cuidar do nosso galinheiro.

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